domingo, 3 de agosto de 2025

Dependentes e desarmônicos entre si

Cazuza disse: "Ideologia, eu quero uma pra viver." e "Meus inimigos estão no poder." Ele disse isso em 1988 — e, em 2025, seguimos repetindo.

Mas como essas duas frases se relacionam com o momento atual?

Bem, ideologia refere-se a um conjunto de ideias, crenças, valores e princípios que moldam a forma como um indivíduo ou grupo social interpreta a realidade e se posiciona no mundo. Ela influencia profundamente a sociedade, a política e a cultura.

Infelizmente, o cidadão médio está mais preocupado com questões individuais ou com benefícios voltados para os grupos dos quais faz parte. Não é comum pensarmos como uma sociedade organizada. Há muitas demandas legítimas, mas o orçamento é limitado — e a maior fatia do bolo sempre vai para quem detém mais poder político e influência. O "interesse público" depende de quem é o "público".

Já os ideólogos frequentemente caem na armadilha de confundir ideias com pessoas. É comum associar virtudes e bons projetos a quem os professa, mas dizer algo é completamente diferente de dar o exemplo. Somos passivos: não pesquisamos, não questionamos nossos próprios vieses, lemos apenas a manchete — e, quando lemos a notícia, consumimos apenas a visão que confirma aquilo que já acreditamos.

Falhamos como sociedade. Aceitamos a máxima de que "política, religião e futebol não se discutem". Mas, quando colocamos a política no mesmo patamar da religião — onde, por definição, a fé é cega — temos a receita do fracasso. Quando tratamos uma eleição como um "Fla-Flu", deixamos de enxergar os defeitos, muitas vezes escancarados, dos nossos candidatos e caímos nas armadilhas criadas pelos marqueteiros para manipular os eleitores.

O Brasil é um país rico e pobre ao mesmo tempo, fruto das péssimas escolhas que fizemos.

Temos um Executivo que governa olhando para o passado, que não aprendeu com os erros de seus antecessores, e que é incapaz de adotar boas práticas implementadas por governos de esquerda em outros países. Vende o futuro para viver o presente — é a política do Carpe Diem. Confunde política de Estado com política partidária, alinha o país a ditaduras do mesmo espectro ideológico e afasta-se das democracias consolidadas.

Temos um Legislativo disfuncional, que não legisla — apenas "emenda". Apropriou-se das funções de executor do orçamento e abriu mão de sua independência frente ao Judiciário, ao qual hoje está completamente submisso. Para a maioria dos parlamentares, o que mais importa é ser reeleito e manter-se longe da prisão.

Temos um Judiciário que "legisla". Com autonomia orçamentária, apropriou-se de uma fatia do orçamento sem paralelo no mundo civilizado. É caro, ineficiente e hostil à imprensa sempre que suas ações absurdas vêm à tona. O art. 53 da Constituição Federal afirma que "os deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos." Já os magistrados, na prática, são invioláveis por quaisquer de suas ações — inclusive por venda de sentenças. Quando pegos, são "punidos" com aposentadoria.

Precisamos parar com o "Fla-Flu", com a ideologia cega, e votar em políticos que dão exemplo: que propõem projetos para coibir os excessos do Judiciário, que se opõem aos privilégios do Legislativo e que fiscalizam e cobram o Executivo. Precisamos sair dessa armadilha de "Lula vs. Bolsonaro" e, no mínimo, escolher um candidato ficha limpa, que não seja um incompetente cuja trajetória se resume a discursos vazios e nenhuma ação prática na vida pública enquanto parlamentar.

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